domingo, 14 de março de 2010

(FATOS) A História de Ester é uma afronta à Bíblia e à dramaturgia





Assisti três episódios de A História de Ester, primeira minissérie produzida pela Rede Record e que foi alardeada aos quatro cantos do país até a estréia e o que eu vi foi mais do que suficiente para uma conclusão óbvia: a produção é ruim, muito ruim.

Desde a primeira cena já era possível notar que não sairia nada de proveitoso dali. A seqüência de guerra em que a Pérsia toma o povo de Israel por escravo beira o ridículo. Principalmente se pararmos para pensar que a emissora tentou a todo custo copiar sem um pingo de vergonha a seqüência de guerra do filme 300, evidente que a cópia não ficou igual ao original e o que se viu na TV foram cenas de dar vergonha alheia. Como bem definiu uma amiga: “Utilizaram o restante da verba de Os Mutantes para produzir a cena”.

Se o problema fosse exclusivamente nas cenas de guerra, não haveria motivo para tantas críticas, afinal, essa seqüência é apenas no começo, antes da história em si iniciar-se. Mas quando as personagens são apresentadas e o texto começa a valer, o que se vê é um total desconhecimento de uma das mais lindas histórias bíblicas e a falta de compromisso do roteirista em tentar, no mínimo, se manter fiel a história. Novamente este não é o maior problema, pois adaptações são sempre bem vindas, mas não quando são, é de lamentar.

O texto é ruim, os diálogos são tão infantis que, as vezes, parecem escritos por Tiago Santiago e as situações tão arrastadas que lembram o selo Manoel Carlos, só que tudo muito piorado. Frases mal colocadas, diálogos que nunca – repito NUNCA – seriam ditos na época do reinado persa, ou seja, total desconhecimento histórico, além de falta de criatividade para se produzir.

As atuações também não são exceção. Seguem o mesmo caminho da produção como um todo e a maior parte dos atores e atrizes compuseram muito mal suas personagens, dando um ar superficial e irreal para as cenas. Claro que muito disso se deve a péssima estrutura montada pela Rede Record com essas barbas falsas que parecem oriundas de festa de carnaval de fundo de quintal e os penteados ridículos das personagens.

Existe um único detalhe positivo nesta produção infeliz da emissora. E ela atende pelo nome de Vanessa Gerbeli. A atriz está impecável e mesmo diante de um texto ruim, vem sabendo construir bem sua personagem e se sobressaindo diante de todo o elenco.

Uma emissora como a Record não se pode mais dar ao luxo de produzir algo tão ruim. A teledramaturgia da emissora melhorou muito nos últimos anos e, com o interesse em produzir outros produtos e não apenas novelas, a Rede deve apostar sim no formato de minisséries que é muito interessante, mas deve produzir algo de qualidade e deixar de ter preguiça. Minissérie por ter poucos episódios deve ser feita com maior cuidado, mais carinho e com acabamento bem amarrado, senão o resultado é catastrófico, exatamente como vemos na tela.

A diferença entre A História de Ester e Dalva e Herivelto – minissérie produzida pela Rede Globo em 2010 – é gritante. Ao comparar não parece que uma foi feita pela primeira emissora do país e outra pela segunda, neste caso, a produção da Record lembra mais as da Rede TV.

Quando a emissora anunciou que iria produzir uma minissérie baseada no livro bíblico de Ester eu fiquei muito empolgado porque conheço a história e sei o quanto é bela. Mas uma série de erros fazem a Record pagar mico diante de todos que prezam pela verdadeira História de Ester e também por todos os amantes de dramaturgia. Pena.

Por: Daniel César - TV x TV

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